quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

domingo, 21 de Outubro de 2007

Marcar Paço

Há já alguns anos que tenho o hábito de almoçar aos domingos na Pizzaria Casanova, em frente à Estação de Santa Apolónia, junto ao rio. O restaurante está sempre a abarrotar de casais betos que têm muitos filhos ainda mais betos e que, não só por serem betos mas também por isso, são muito, muito irritantes. Seja como for, são as minhas pizzas preferidas de Lisboa e a de figos com presunto vale bem o sacrifício. Convém chegar cedo para evitar a bicha que, muitas vezes, faz com que a espera para conseguir uma mesa se prolongue por mais de uma hora. Infelizmente, desde que o Dr. António Costa decidiu fechar o trânsito no Terreiro do Paço aos domingos, a bicha do restaurante não é a única com que eu tenho de me preocupar. À custa desta iniciativa, centenas de condutores - alguns dos quais esfomeados - ficam parados no Cais do Sodré, no Chiado ou no Rossio para que meia dúzia de curiosos possam ir para o Terreiro do Paço olhar para um tipo qualquer a fazer yoga ou yôga ou lá como se diz aquela merda ou mêrda.
Eu acho muito bem que se tente dinamizar aquela praça da cidade, mas limitar esta iniciativa a apenas um dia da semana está visto que traz mais chatices do que vantagens. É uma questão de hábito(s). O ideal será, então, fechar o trânsito em todas as praças da cidade, e fazer com que as pessoas andem de bicicleta não apenas aos domingos mas todos os dias da semana. Poupa-se no combustível, o meio ambiente agradece, e, melhor do que tudo, ficamos todos mais elegantes. Eu, por exemplo, mesmo que não ande de bicicleta, deixo pelo menos de comer pizza.

quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

The Perfect Storm

Um camião que transportava ferro capotou esta manhã na Ponte 25 de Abril, no sentido Sul/Norte.

sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Unheimlich Maneuver

A linha que separa um condutor desenrascado de um chico-esperto é por vezes muito ténue. Não será tanto como a que separa o estado mental do Vasco Pulido Valente do de um doente com Alzheimer, mas é ténue ainda assim.
Refiro-me àquela manobra, tão comum, que consiste em ultrapassar uma série de carros parados numa fila de trânsito, acabando por nela entrar, já muito à frente, assim ganhando algum tempo e uma quantidade enorme de inimigos. É o caso do acesso à 2ª Circular, vindo da CRIL, ou por trás das Amoreiras, junto ao ex-futuro Campo de Golfe, em direcção à A5. Em ambos os locais eu sou dos que raramente ocupo o meu lugar na fila, optando por seguir pela faixa do lado até que abra um espaço - e quase sempre abre - onde possa enfiar-me. Nem sempre é fácil, mas, felizmente, por cada condutor que se encosta ao carro da frente para que eu não consiga passar há sempre outro que facilita a entrada ou que, na ânsia de não permitir que eu passe, deixa o carro ir abaixo.
Se isto faz de mim um desenrascado ou um chico-esperto, não sei. Tal como não sei se todos aqueles condutores que eu deixo para trás são otários ou apenas ingénuos. No dia em que eu tiver a resposta para este dilema terei de optar por uma de duas soluções: fazer o que tenho feito até aqui, indiferente ao que os outros possam pensar, ou, pelo contrário, deixar de me armar em esperto, corar de vergonha e ir para a fila como toda a gente. Pedir desculpas ao Vasco Pulido Valente é que eu não peço.

quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Ora se isto foi em Agosto, só hoje é que a recebi e tendo em conta que passo lá todos os dias... Então 60 euros x 31 x 2 +... Enfim, é fazer as contas

(clicar na imagem para aumentar)


domingo, 7 de Outubro de 2007

Pernas para que vos quero

Dizem os teóricos que a posição correcta das mãos no volante é a das "dez para as duas". Acredito que isso possa ser verdade para um piloto de Fórmula 1 que anda a 300 km/h, mas tenho sérias dúvidas que o seja para o condutor vulgar. Não creio que a postura de uma pessoa ao volante seja, por si só, suficiente para aferir da qualidade da sua condução. Nestas coisas, como em muitas outras - a filha do Nené não me deixa mentir -, nem sempre o que parece é.
Por exemplo, um condutor com o banco totalmente puxado para a frente e a cara a 2 centímetros do volante pode ser o típico nabo ou apenas alguém com menos de 1 metro e 50; a mão esquerda no volante e a direita nas mudanças é a posição preferida do acelera mas é também meio caminho andado para mudarmos de estação sempre que anunciam o André Sardet; uma mão no volante e a outra colada à buzina denuncia por vezes um palermóide apressado, outras um cara de cu impaciente; e até um simples braço de fora do vidro pode ser sinónimo de uma condução relaxada, estilosa ou de mil e uma outras coisas, sendo que, no meu caso, pelo menos metade delas envolve gestos obscenos para o palermóide apressado.
Não há, por isso, posições mais ou menos correctas; o que há, isso sim, são posições com as quais nos sentimos mais ou menos confortáveis e que fazem com que o nosso desempenho como condutores seja melhor ou pior. De resto, este princípio aplica-se também noutras áreas da nossa vida, onde a posição das "dez para as duas", mesmo sendo a mais comum e a preferida de muitos, pode ser boa ou má consoante a agilidade dos ponteiros.

domingo, 30 de Setembro de 2007

Lá num país cheio de flores

Já por mais do que uma vez perdi o cartão do parque de estacionamento. Sim, sou distraído. Hoje voltou a acontecer. Como o guichet do parque do Alvaláxia se revelou quase tão difícil de encontrar como o corpo da Maddie, tive de perguntar como lá chegar a um segurança que por ali andava. Expliquei-lhe o sucedido mas ele, em vez de me indicar o caminho, pediu-me que esperasse um minuto, após o qual me abriria a cancela para eu "não ter de pagar a multa". Depois, ao chegar a casa, aconteceu o que sempre acontece quando saio num Domingo à noite: não tinha lugar para estacionar. Preparado para iniciar a minha habitual maratona de 20 ou 25 minutos à volta do quarteirão, eis que um senhor praticamente se atira para cima do meu carro e me pergunta se estou à procura de lugar. Respondi que sim. "Então siga-me, que eu vou sair agora mesmo".
Eu lembro-me de, na semana passada, ter visto na TV que Escorpião ocupava o 3º lugar numa tabela astrológica qualquer, mas nada nos prepara para isto. Nada. Nem mesmo a Maya.

quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Apre, que os trocadilhos são infindáveis!

As cerca de duas horas que eu passei ontem dentro do carro para fazer um percurso - Carnaxide/Estádio do Jamor - que, em condições normais, não me levaria mais do que 10 minutos, quase foram suficientes para me estragar a noite. Quase. Tal só não aconteceu porque ontem eu comemorava uma data especial mas, também, porque o cheiro da ganza que o tipo ao meu lado não parou de fumar me fez passar dum estado de Driven to Tears para uma espécie de Walking on the Moon em tempo record. É verdade que hoje ainda ouço Voices Inside My Head mas espero que isto passe lá mais para o final da tarde.

segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Ensaio

Há duas coisas das quais tenho absoluta certeza: primeiro, que eu era, até hoje, o único blogger português, homem, com mais de 30 anos, que ainda não tinha escrito a frase (ou uma sua variante) "fui praticante de râguebi durante os meus tempos de juventude" em qualquer post; e segundo, que todos os carros aos quais eu, por gentileza, cedo passagem numa fila de trânsito, vão, invariavelmente, andar muito devagarinho, ficar com o meu lugar de estacionamento ou deitar mais fumo do tubo de escape do que uma Bedford de 1957.

domingo, 16 de Setembro de 2007

Ainda se fossem de marfim...

Uma amiga minha contava-me, há uns anos, da enorme desilusão que teve quando, certa noite, numa discoteca, atraída por um rapaz que não parava de olhar para ela, arranjou coragem para ir ter com ele e constatou, após um tímido "Olá", que o rapaz tinha apenas dois dentes. É mais ou menos este tipo de frustração que eu sinto quando, depois de 15 ou 20 minutos à procura de um lugar para estacionar, dou conta de que "aquele, óptimo, ali ao fundo" era, afinal, uma garagem. A minha irritação é tanto maior quando percebo que grande parte dessas garagens não têm sequer qualquer tipo de uso e são, muitas vezes, meros portões a cairem de podre onde alguém escreveu "Entrada e saída de veículos". Sim, mas que veículos e de quantos em quantos anos?! Eu, que até sou uma pessoa relativamente modesta a pedir, sonho com o dia em que, fruto de uma qualquer intervenção - divina ou natural, tanto faz -, tenho direito ao meu próprio lugar de estacionamento; um lugar com uma placa devidamente personalizada que proíbe qualquer outro veículo que não o meu de lá estacionar, poupando-me tempo e chatices. Só peço, já agora, é que nessa placa, para além da matrícula do meu carro, não esteja também o desenho de uma pessoa numa cadeira de rodas.

sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

E o Óscar de Melhor Banda Sonora Original vai para...

Uma que há ali na zona do Príncipe Real e que, muito provavelmente, acabou de dar cabo da minha suspensão traseira. Ou da do carro, pelo menos.

terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Não aprecio comida indiana, prescindo das ofertas de 30% seja em que SPA for e dispenso as explicações do 7º ao 12º anos

Quinze anos de carta e não me lembro de uma única vez em que os papelinhos com publicidade que quase todos os dias eu tiro do limpa pára-brisas tenham servido para o que quer que seja. E quantos Restaurantes "Tandoori" existem, afinal?

quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Posta Barrosã

Há dias, numa conversa em que se falava das maravilhas do GPS, comentei que achava este sistema "uma mariquice absolutamente inútil". Isto foi antes de ter decidido vir passar uns dias ao Gerês, para conhecer as suas paisagens, as suas gentes, etc. Que é basicamente o que eu tenho feito. Só é pena que a escassez de placas indicadoras dos locais me levem a visitar sempre as mesmas paisagens e as mesmas gentes. Agora não passa um único dia sem que eu suspire pelo maldito sistema de navegação e, por isso, não me custa admitir que a minha opinião sobre o GPS deu uma volta de 180º - o que, mesmo assim, não é nada se compararmos com as voltas de 360º que eu tenho dado desde que aqui cheguei. Aliás, não quero jurar, mas quis-me parecer que, hoje, duas vacas, ao verem-me ali para os lados de Brufe - outra vez - se riram de mim. As vacas.

sábado, 1 de Setembro de 2007

Mulheres VI

Tenho esta teoria de que as mulheres que andam na estrada a grande velocidade são bastante activas sexualmente. Vou até um pouco mais longe: quanto pior o carro, maior a fogosidade da condutora. Quer dizer, uma mulher que ao volante de um Fiat Panda de 1987 ou de uma Renault 4, seja de que ano for, passe por mim a 120 km/h é - pelo menos na minha cabeça - uma fera na cama; já uma mulher que faça o mesmo ao volante de um Mercedes SLK poderá sê-lo ou não, embora seja de admitir que nalguma coisa ela há-de ser boa para ter um carro daqueles. Como teoria que é, carece, obviamente, de uma fundamentação metodológica que a sustente, mas a minha quilometragem leva-me a concluir que a realidade é esta. Não creio, no entanto, que o inverso seja verdade. Isto é, uma mulher que seja uma lesma a conduzir não terá necessariamente um comportamento idêntico debaixo dos lençóis. Até porque, vamos ser honestos, isso representaria uma taxa de insatisfação sexual por parte dos homens a rondar os 95%.

quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Já lá vão quase 20 anos e continuo sem
fazer ideia do que possa ser




"Look at us now, quit driving, some things hurt more, much more than cars and girls"

terça-feira, 28 de Agosto de 2007

666

Um dia destes o proprietário do veículo com uma qualquer matrícula, a quem será solicitado que se dirija junto da mesma com urgência, há-de lá chegar e encontrar um papelinho escrito por mim, com o texto: "A ideia é cada carro ocupar apenas 1 lugar e não 3, percebeu?". Só não decidi ainda se acrescento "ó sua besta" no final ou não.

quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

Ah... Férias!










sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

Merche Romering

Não entendo muito bem a finalidade do tuning. Se a ideia é modificar uma série de componentes do carro, alterando o seu aspecto e torná-lo mais bonito do que o original, não me parece que a coisa resulte. Acho inclusivamente que todo aquele upgrading serve apenas para piorar algo que, mesmo antes dos retoques estéticos, já não era grande coisa.

Adenda: Obrigado pelas sugestões que me têm enviado com outras hipóteses para título do post. Ana Malhoing, Elsa Raposing, Cinha Jarding, Patrícia Tavaring ou Manuela Moura Gueding são óptimas alternativas, mas, pelo menos para já, deixo ficar a Merche Romering.

domingo, 22 de Julho de 2007

Na verdade era uma marquise

Não fossem as dificuldades de comunicação existentes entre mim e o meu pai, e, muito provavelmente, eu teria sido um dos não-sei-quantos milhares de motards que, esta semana, marcaram presença na concentração em Faro. Infelizmente, das poucas vezes em que eu, ainda garoto, tive coragem para dizer "papá, gostava de ter uma mota", o meu pai, por motivos que ainda hoje são para mim pouco claros, ouviu sempre "papá, estou apaixonado pelo meu professor de Educação Física", e, claro, reagia em conformidade. Cedo percebi, então, que dificilmente me iria tornar num motard, e hoje, com outras prioridades na vida, receio já ser demasiado tarde.
Não foi sequer um desejo de sensação de liberdade, rebeldia ou de levar com o vento na cara que me fizeram querer ter uma mota (isso também o conseguia indo todo nú para a varanda), mas porque me recordo, desde sempre, do modo como as motas conseguiam fugir aos congestionamentos, na facilidade que tinham para encontrar lugares de estacionamento e nas vantagens óbvias em ter um capacete no caso de uma discussão mais acesa com outro condutor.
Este post é, pois, o meu pequeno tributo a uma classe tantas vezes criticada, mas a quem eu faço sempre os possíveis para facilitar a vida quando ando na estrada. Obrigado a todos eles e boa viagem de regresso a casa. E um forte abraço ao meu professor de Educação Física, onde quer que ele esteja.

sábado, 14 de Julho de 2007

Lava-me, porco

Preguiçoso como sou e sem perspectivas de tão cedo vir a comprar uma casa com garagem, resta-me esperar que uma das consequências do aquecimento global, para além das alterações climáticas ou do aumento do nível do oceanos, seja que a maioria dos pássaros comece a fazer cocó preto. Preto cinza, já agora.

sábado, 7 de Julho de 2007

E=mar cruel2

Tinha aqui preparado um post enorme sobre aquilo que eu julgava ser o meu pior pesadelo - ir de carro para a praia aos fins-de-semana - quando, de repente, olho para a televisão, vejo a Dulce Pontes cantar e percebo que tudo na vida é relativo.

terça-feira, 3 de Julho de 2007

Faz-te à estrada, Ricardo

Nestas últimas semanas roubaram-me a antena, amolgaram-me o pára-choques traseiro e destruiram-me o espelho retrovisor do lado esquerdo. O que estes três incidentes têm em comum é o facto de o carro se encontrar estacionado quando eles sucederam. Dá que pensar. Não sei muito bem em quê mas dá. Fico na dúvida se terão sido actos de vingança por algo que eu tenha escrito no blog ou se, pelo contrário, é uma forma original - mesmo que retorcida - de me fornecerem ideias para posts. Seja como for é chato. Não tanto pelo pára-choques, que com uma ou duas marteladas há-de ir ao sítio, e muito menos pela antena, pois ainda consigo ouvir em óptimas condições a Bola Branca (às 12h16, 18h45 e 22h30 - a edição alargada da noite). É mesmo o espelho - ou a falta dele - que me incomoda: de tanto pôr a cabeça de fora cada vez que mudo de faixa, sinto-me cada vez mais como se fosse o ângulo morto dos outros condutores.

domingo, 17 de Junho de 2007

Mulheres V

Às vezes dou por mim a pensar como seria o trânsito se as mulheres fossem tão desinibidas a conduzir como o são a escrever em blogues. A conclusão a que eu chego nem sempre é a mesma: quando estou ao computador fico convencido de que o trânsito, provavelmente, circularia muito melhor; mas quando estou ao volante percebo que já há camionistas a mais na estrada.

quarta-feira, 13 de Junho de 2007

"Um de vocês ande lá com essa m€rd@!"

A quem deve ser dirigida a minha raiva: à pessoa que está a tirar a carta ou ao seu instrutor?

quinta-feira, 7 de Junho de 2007

A este eu dava o meu voto de caras

Como candidato à Câmara Municipal de Lisboa nas próximas eleições intercalares para a autarquia, qual é, na sua opinião, o principal problema da cidade?
O trânsito.

Que soluções tem a sua candidatura pensadas para resolver esse problema?
Desde logo, e porque me parece a razão mais óbvia para o estado de coisas actual, acabar com todas as passadeiras existentes na cidade.

Não acha que isso irá colocar os peões em risco?
A princípio, talvez. Mas, já a pensar nisso, a minha candidatura tem previstas parcerias com diversas empresas de informática, de forma a que, caso eu venha a ser eleito, todas as juntas de freguesia possam estar equipadas com dezenas de computadores, através dos quais os lisboetas terão, gratuitamente, - repito: gratuitamente - acesso ao jogo
Frogger, para assim poderem treinar a melhor forma de atravessar a estrada.

E isso não é insuficiente?
Não creio. Há um pormenor que me parece importante realçar e que é o seguinte: está prevista, para inícios de Setembro - pouco tempo depois das eleições, portanto - a estreia de um concurso diário na RTP que irá ser apresentado por Jorge Gabriel. Ora, com a Praça da Alegria de manhã, mais o novo concurso à noite, fora todas as outras aparições que ele faz como convidado de outros programas, temos fortes razões para acreditar que muitos lisboetas - e não só - irão, eles próprios, fazer os possíveis para serem atropelados, e de preferência por camiões TIR. Nessa medida, as passadeiras deixarão de ser necessárias.

Resolvido então o problema das passadeiras, a que outras matérias irá dedicar-se?
Bom, naturalmente a questão das cargas e descargas, que tanto contribui para o entupimento do trânsito em Lisboa. Estão previstas coimas muito pesadas para todos aqueles que não cumprirem os horários estabelecidos por lei no que a esta prática diz respeito.

E quais são esses valores, pode dizer
-nos?
10 mil euros para quem prevaricar pela primeira vez, 25 mil para os reincidentes, e 500 mil euros caso o autuado seja jornalista da TVI.

Não acha isso um exagero?
Os 10 mil e os 25 mil euros talvez, sim, mas é a única forma de pormos cobro a este autêntico caos a que assistimos diariamente. Não creio, no entanto, que alguém volte a ter a ousadia de desrespeitar a lei.

E porquê?
Porque decidimos - eu e o meu staff - criar uma comissão que terá como função principal monitorizar de muito perto todo o tipo de cargas e descargas, e que será composta por funcionários e ex-funcionários da Câmara, cada um deles munido de um ferro em brasa que será imediatamente introduzido no ânus dos prevaricadores sempre que estes sejam apanhados em flagrante.

E isso não é ilegal?
São ferros que cumprem todas as normas estipuladas pela Organização Mundial da Saúde, a ASAE e o Cláudio Ramos. Quanto a isso estamos à vontade, e nada temos a temer.

Muitos lisboetas queixam-se igualmente da fraca oferta de serviços de Transportes Públicos. O que pensa desta situação?
Eu sei que é competência das autarquias a concessão de serviços de transportes públicos urbanos, mas devo dizer-lhe que, à excepção do Metro, os transportes públicos servem apenas para atrapalhar. Sempre que um eléctrico avaria, o trânsito pára; e os autocarros, para além de poluírem o ambiente, roubam espaço precioso aos automóveis, com esse autêntico elefante branco que é a faixa do BUS, e que, sob a minha presidência, deixará de existir, sendo substituída por lugares de estacionamento.

Gratuitos?
Claro.

Como espera poder vir a financiá-los?
Através da venda de todos os funcionários da EMEL ao Manchester United.

E já tem acordo para essa venda?
Já há um pré-acordo, sim.

O que falta, então?
Ensiná-los a jogar à bola.

E caso isso não seja possível?
Atamo-los com fita-adesiva amarela e preta, cobrimo-los de moedas de 5 cêntimos para depois serem integrados na colecção de obras de arte do Joe Berardo, que irá ocupar os espaços do antigo Centro de Exposições do CCB. Caso as negociações com o Manchester United não resultem, temos a promessa por parte do empresário madeirense de que haverá um espaço reservado para o nosso projecto, que se chamará "Fora de Serviço - Dirija-se à Exposição Mais Próxima".

Também é da opinião que as mulheres contribuem para a má circulação do trânsito?
Obviamente que sim.

Quer consubstanciar essa sua opinião?
Não posso, sob pena de perder grande parte das minhas leitoras.

Leitoras?
Eleitoras, perdão.

Mas tem prevista alguma medida para resolver o que o senhor considera, pelos vistos, ser um problema grave?
Tenho mas, como lhe disse, prefiro não revelá-la para já. Posso adiantar-lhe no entanto que, comigo na presidência da Câmara, dificilmente uma mulher voltará a pôr as mãos num volante.

Não teme poder vir a ser acusado de machismo?
Oiça, já me disseram que eu era fisicamente parecido com o João Pedro Pais, pelo que, depois disso, nada do que me possam chamar poderá afectar-me. Nada.

Nem se lhe disserem que o senhor é parecido com o Fernando Alvim?
Ok, quase nada.

A colocação de radares em pontos estratégicos da cidade é para manter?
A questão dos radares é bastante complexa. Concordo com a sua utilização mas não nos moldes
actuais. Como forma de agradecimento ao director do CCB, a nossa solução passa pela colocação de um Mega-Radar que não se limite apenas a controlar a velocidade mas que nos permita igualmente punir tudo o que seja considerado manobra perigosa. É um radar que dispõe de uma tecnologia única no mundo e que será um passo muito significativo no combate aos problemas da mobilidade na cidade. Numa primeira fase, necessariamente de testes, este radar irá incidir exclusivamente sobre os taxistas.

E passada essa fase de testes?
Passada essa fase de testes logo se vê. A
única certeza é que nunca mais poderei apanhar um táxi na vida, obviamente.

Para finalizar, quer explicar aos lisboetas aquilo que o separa dos restantes candidatos à Câmara, nomeadamente os que representam as principais forças partidárias, bem como os dois independentes?
Bom, para além das medidas que acabei de anunciar, há muitos outros aspectos que me distinguem dos demais candidatos. Devo confessar que, em relação a António Costa e Telmo Correia é-me difícil fazer essa análise, uma vez que não consigo sequer distingui-los um do outro - um parece um negro com feições de branco e o outro um parece um branco com feições de negro.

Mas um tem os olhos azuis e o outro não.
Qual deles?

Não sei. Também não consigo distingui-los.
Lá está... Depois
há todo um conjunto de ideias que me separa de Helena Roseta e de Fernando Negrão, sendo que, à partida, o facto de eles não terem nenhuma ajuda bastante a que isso aconteça. O Engenheiro Carmona Rodrigues é, como sabe, arguido num processo de corrupção, usa óculos, está a ficar careca, tem mais buracos na cara do que o Bryan Adams e, como se não bastasse, é adepto do Sporting. Digamos que se tivesse de me aproximar de algum dos candidatos, ele seria sem dúvida o Dr. José Sá Fernandes.

É portanto o candidato com que mais se identifica?
Não. Aquilo que me levaria a aproximar-me dele seria a enorme vontade de lhe ir às trombas por todo o mal que ele fez à cidade de Lisboa.

Um ferro em brasa no ânus desse senhor seria também uma hipótese?
Se isso contribuir para a segurança dos lisboetas e proteger o meio ambiente não vejo porque não.

Obrigado e boa sorte.
Obrigado.

segunda-feira, 4 de Junho de 2007

Com um brilhozinho nos olhos

Primeiro foi este, a propósito do Sérgio Godinho:

"(...) é, e será sempre, um dos melhores escritores de canções que este país alguma vez viu nascer. Ninguém canta o amor como ele. Ninguém.
E perceber, durante duas horas de concerto, que a música do Sérgio Godinho esteve presente em todas as fases boas da minha vida.
E espero que assim continue.
No fim, fui-lhe dar o abraço com dois braços de admiração.
E com o orgulho de o conhecer."


Depois este, sobre os filhos:

"(...) Os meus filhos são tudo o que consigo ser e são ainda mais, por eles, por serem duas crianças lindas, espertas, graças a Deus saudáveis, que nasceram com a capacidade inata de amar e o mostram sem filtros, sem reservas nenhumas daquelas que depois vamos inventando ao longo da vida. O amor que deles emana é tão natural como respirar e isso é comovente, esmagador, responsabilizador e desafiante. Acho que sou melhor pessoa porque eles existem, acho mesmo. (...)"

Agora é esta, mais o mar e o vento:

"Este fim-de-semana adormeci a ouvir o mar e o vento nas copas dos pinheiros. Poucas coisas me fazem tão feliz."

Não me interpretem mal: eu passei grande parte da minha juventude a ouvir Sérgio Godinho, tenho (mesmo) a filha mais linda do mundo e também gosto muito de apreciar a Natureza e não sei quê. Mas pergunto: esta gente fará ideia da existência de algo tão maravilhosamente único, especial e prático como a Via Verde?

terça-feira, 29 de Maio de 2007

Está o inferno cheio e não sei quê

Desisto. Estou farto de ser mal interpretado e, por isso, hoje, pela última vez, avisei um condutor de que tinha a porta do carro mal fechada. Não sei que sinais eu ando a transmitir mas, face ao tipo de reacções que tenho provocado, não são de certeza os mais adequados. E, no entanto, não creio estar a esquecer-me de nada: aproximo-me ligeiramente do carro em questão, buzino para chamar a atenção do condutor e aponto para a porta que está mal fechada. Por muitas voltas que dê à cabeça não vejo que outra interpretação possa haver para este procedimento que não seja "Tem a porta mal fechada!". Mas, pelos vistos, há. Só assim se compreende que grande parte dos condutores me ignore, outros pareçam reagir com um distante e indiferente "Eu sei. É assim que eu gosto", e outros ainda, como que me imitando, se aproximem do meu carro e buzinem, embora o gesto que fazem seja diferente do meu. Cambada de pobres e mal-agradecidos. Se é para isso não contem mais comigo. Querem saber se têm a porta mal fechada comprem um daqueles carros que emite imediatamente um sinal sonoro e acende uma luzinha vermelha sempre que há algo de errado. Com sorte até vem equipado com um mostrador no tablier que avisa "Atenção: condutor chato que gosta de buzinar e fazer gestos esquisitos às suas 9 horas. Porta mal fechada".

domingo, 20 de Maio de 2007

Há-de ser ali para os lados da Av. da República, por volta das 21h30

Haverá som mais insuportável do que este? Claro que não. Hoje, porém, ao contrário dos restantes dias do ano, ele será música para os meus ouvidos. Mas só hoje.

segunda-feira, 14 de Maio de 2007

Mulheres IV

Agradeço todos os emails simpáticos em que me pedem para eu escrever com maior periodicidade no blog, mas a verdade é que não tenho andado a brincar. Estou neste momento a desenvolver uma teoria que envolve uma matemática extremamante complicada mas que, estou certo, me permitirá apresentar dados concretos que demonstram, de uma forma categórica e incontestável, que ao volante de um Mini Cooper e de um Beetle vai sempre uma gaja boa. Espero em breve voltar a este este assunto. Quem sabe se, até lá, não terei igualmente novidades sobre a relação entre as consequências nefastas da exposição excessiva em solários e as condutoras de Smarts.

segunda-feira, 7 de Maio de 2007

"Ai, ele é como se fosse família"

Nunca atropelei um animal mas caso isso algum dia venha a acontecer, espero - e isto não é uma coisa nada bonita de se dizer, eu sei - que o bicho em questão seja o cãozinho da Bárbara Guimarães.

sábado, 5 de Maio de 2007

Copy / paste

Passei grande parte do dia de ontem à espera que me abrissem a cancela de um parque de estacionamento porque, segundo percebi, o meu cartão não é suficientemente VIP para que eu possa permanecer naquele espaço para lá de uma determinada hora. Atrás de mim, uma fila interminável de carros conduzidos, aparentemente, por atrasados mentais não parava de buzinar, ao mesmo tempo que me chamavam todos os nomes possíveis e imaginários, sendo que nenhum deles me soou a algo sequer parecido com 'Ricardo'.
Por muito que tente, continuo a não perceber o que levou tanto camelo a insistir em buzinar, mesmo vendo que eu não podia andar para a frente, para trás ou para lado algum. A minha vontade foi sair do carro e deixá-lo ali parado até que alguém o fosse tirar de lá. Teria sido uma boa maneira de irritar ainda mais toda aquela malta que não se calou nem por um minuto. Não o fiz porque a cancela, finalmente, abriu, e também porque, entretanto, me enchi de coragem e aproveitei para gritar ao segurança todos os insultos de que fora alvo antes. O intercomunicador é uma invenção do caraças, não é?

terça-feira, 1 de Maio de 2007

Ode ao Túnel

Foi hoje de madrugada
Que te vi a primeira vez.
Entrei pela auto-estrada
E só parei no Marquês.

Tantas vezes foste adiado
Que me deixaste fora de mim.
Mas lá foste inaugurado,
Foda-se, até que enfim!

Há talvez um pormenor
Em que podias ser melhor.
Bastava para isso tirares
Aquela merda dos radares.

Andar àquela velocidade
Não lembra nem ao diabo.
Demora uma eternidade
E faz comichão no rabo.

Fiz tudo para me portar bem
E não me irritar com ninguém,
Embora houvesse um palerma
Que me fez encostar à berma.

O tipo apareceu com um speed
No seu Audi TT amarelo.
Foi assim desde Campolide
Até à Fontes Pereira de Melo.

Consegui não dizer palavrões
E manter o sangue frio.
Claro que houve excepções
Quase sempre com o mulherio.

Por fim, uma palavra de estima
Para o presidente Carmona.
Queria dedicar-lhe uma rima
Mas não me consigo lembrar de nada que rime com 'ona'.

domingo, 29 de Abril de 2007

Não sabe / Não responde

Os autocarros panorâmicos da Carris também fazem greve?

É dos pneus carecas que elas gostam mais?

Desligam o rádio quando estacionam num lugar apertado?

O cinto de segurança nunca vem à primeira?

Qual é o melhor remédio para o trânsito congestionado?

quinta-feira, 26 de Abril de 2007

109 cavalos, 2 bois e 1 lobo esfomeado

Como não percebo um boi de mecânica os motivos que me levam a comprar um carro em detrimento de outro têm sobretudo a ver com questões estéticas e de conforto, mais do que quaisquer outras. Assim, quando, há dois anos, decidi trocar (comigo próprio) de carro, não me deixei impressionar pelo motor com 109 cavalos de 4 cilindros em linha e 16 válvulas, o Controlo Electrónico de Estabilidade, ou pelo Turbocompressor de baixa inércia, características que, estou certo, são fundamentais para que a máquina ande mais e melhor, mas que eu não faço ideia do que sejam - abram-me o capot de um carro e pareço um boi a olhar para um palácio. O factor que acabaria por influenciar decisivamente a minha escolha foi, então, um lindo e maravilhoso leitor de CDs com MP3. Para mim é quase impensável conduzir sem ouvir música - contanto que não venha do carro de vidros abertos que está parado ao meu lado no semáforo - e atrevo-me até a dizer que ela chega a influenciar a forma como eu conduzo (e vice-versa, acho): dentro da cidade, música pujante e nervosa; mais calma e relaxante em viagens prolongadas; a colectânea dos 80s para soltar o metrossexual que há dentro de mim; e, por fim, o álbum dos Ala dos Namorados que me foi oferecido, para quando eu perder o apego à vida e decidir atirar-me por uma ravina abaixo.

segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Everyday is should be like Sunday

Digam o que disserem, não há como os fins-de-semana para andar de carro em Lisboa. Principalmente quando, como agora, está calor e dois terços dos lisboetas andam pelas praias ou a caminho delas. É tão bom - mas tão bom - poder chegar ao Chiado em menos de metade do tempo do que é habitual, ou estacionar no Saldanha em lugares que não sabíamos sequer existirem. Até os semáforos parecem estar do nosso lado. É como se eu, durante dois dias, pudesse desfrutar de carro e cidade, um e outro em perfeita harmonia numa rara combinação de máquina + natureza, em que ambos se complementam e potencializam reciprocamente. Enfim, não fosse a porra do ar-condicionado ter avariado e teria sido um belo fim-de-semana, é onde eu quero chegar.

quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Pronto, já passou... Está toooodo lá dentro.


(ao telefone)

- Ora então vamos ter que mudar filtro e óleo, não é verdade, Sr. Ricardo?
- Pois.
- Isto vai precisar de um jogo de pastilhas novo.
- Hã, hã.
- Aliás, dois jogos de pastilhas, porque os de trás também já não estão grande coisa...
- Ok.
- E se calhar também os discos dos travões, já que vamos mudar as pastilhas.
- Pronto.
- Afinar válvulas, a suspensão traseira está a fazer um barulho esquisito, por isso vamos ter que ver isto, a correia de distribuição também convém mudar porque já fez muitos quilómetros com ela, mais blá, blá, blá, blá, blá, blá...
- Claro.
- E patati patatá, porque nao sei quê não sei que mais.
- Também?
- Claro, Sr. Ricardo, caso contrário a sua viatura isto e aquilo, ainda por cima coiso e tal, e pimpampum cada bola mata um, está a perceber?
- E isso fica-me tudo em quanto?
- Ora isto tudo somado, deixe cá ver... Estamos a falar de 275 euros.
- 275 euros já com tudo somado?
- Sim, já com tudo somado. Podemos avançar?
- Sim, podem. Passo aí ao fim do dia para levantar o carro.

(ao fim do dia para levantar o carro)

- Ora aqui tem a chavinha da sua viatura mais a descrição do serviço efectuado.
- Mas tinha-me falado em 275 euros e diz aqui 332 euros.
- É 275 euros mais iva, Sr. Ricardo.
- Essa agora... Nem pense nisso. Disse-me que eram 275 euros e é isso que eu lhe pago. Quer roubar vá roubar para o raio que o parta. E parto-lhe já a oficina toda se me leva um tostão a mais que seja.
- Perdão?
- Nada. Estava só a dar asas à imaginação e tentar impressionar os leitores do blog. Só naquela... Para que eles pensassem que sou um tipo que os tenho no sítio e não um tanso qualquer que se deixa enganar por aldrabões como o senhor. Um dia ganho coragem e perco mesmo a cabeça, sabe? Vai tudo a eito.
- Ah, com certeza... Pode pagar então ali na caixa à minha colega, está bem, Sr. Ricardo?

segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Não ultrapassarás!

Sinto-me sempre constrangido quando tenho de ultrapassar um carro da polícia ou um carro funerário. No caso da polícia receio que, ao fazê-lo, esteja a exceder os limites de velocidade ou a cometer qualquer outra infracção que apenas o olho treinado - leia-se, o olho de um polícia - consegue detectar. Embora compreenda que o patrulhamento das ruas não pode nunca ser feito a grande velocidade, pergunto-me muitas vezes se os polícias não se aproveitam desta circunstância para se divertirem à nossa custa enquanto nos empatam a todos lá atrás. Com os carros funerários é diferente. Aí, o constrangimento tem mais a ver com o desconhecimento sobre a existência de alguma regra ou etiqueta relativamente a este tipo de viaturas. São considerados veículos prioritários? Posso ultrapassá-los ou parece mal se o fizer? É desrespeito pelo falecido? O que diz o Código sobre o assunto? E a Bíblia? Só sei que sinto um arrepio na espinha cada vez que ultrapasso um carro destes, como se alguém - Alguém - me estivesse a censurar por esta insolência, por esta heresia. Se calhar não; se calhar todo este receio não passa de uma paranóia minha e, afinal, não há nada que me impeça de ultrapassar os carros funerários como faço com todos os outros. Deus queira que sim.

sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Lisbon Revisited (adapt.)


NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam operações STOP!
Não me falem em cargas e descargas!

Tirem-me estes radares da frente!
Não me apregoem limites de velocidade, não estacionem em 2ª fila.
O túnel (o túnel, Deus meu, o túnel!) —
O túnel, as obras, a sinalização incorrecta!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se não têm pressa, andem a pé!

Sou um apressado, mas um apressado cheio de técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me lento, dócil, resignado e a 50 à hora?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
E saiam da frente para eu passar!
Para que havemos de ir juntos?

Ó semáforo irritante — o mesmo da minha infância —
Eterno vermelho, amarelo ou avariado!
Ó macio condutor ancestral e surdo,
Pobre velhinho onde a idade se reflecte!
Ó camionista abrutalhado, empata de outrora de hoje!
Nem andais, nem passais, nem sequer deixais que eu te ultrapasse.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Mira, me llenas el tanque, por favor?

À excepção talvez do riso da Júlia Pinheiro não há nada que me incomode mais do que estar parado no trânsito. E se em relação às gargalhadas da apresentadora não creio que haja remédio possível, já no que toca à chatice do pára-arranca só não a evito quando não posso. Por isso, quando me vejo parado durante muito tempo no mesmo sítio, tento sempre fugir para caminhos alternativos que, ainda que eventualmente mais longos, não me obriguem a passar metade do tempo a saltar de ponto morto para 1ª e de 1ª para ponto morto. Não me importo de fazer mais 5, 10 ou 20 quilómetros, desde que os faça sempre sem parar. É verdade que nem sempre a coisa resulta e, muitas das vezes, dou por mim numa fila de trânsito ainda maior do que aquela onde estava inicialmente, e a afastar-me cada vez mais do local pretendido. Mesmo assim, prefiro - o pior que me pode acontecer é desviar-me de tal forma da minha rota que, quando der conta, já estou em Cáceres ou em Badajoz. Se isso algum dia vier a acontecer só espero não me esquecer de encher o depósito. Lá, claro, onde a gasolina é mais barata.

segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Operação Páscoa

Não gosto de viajar durante as quadras festivas. O trânsito nas auto-estradas fica caótico e o meu comportamento ao volante idem. Este ano, felizmente, quase não precisei sair de casa para estar com a família. Entre as 00h00 de quinta-feira e as 24h00 de domingo enervei-me apenas com 27 condutores, dos quais 24 estavam - ou pareciam estar - alcoolizados, 2 eram familiares que não sabem ler um mapa e 1 era ambas as coisas; ou seja, menos 12 do que no período homólogo do ano passado. O balanço final é, portanto, bastante positivo. Para o ano espero não só manter esta tendência mas, também, poder vir a escrever a palavra "homólogo" mais vezes.

domingo, 8 de Abril de 2007

Mulheres III

Ontem, ao parar no cruzamento da Av. Joaquim António de Aguiar com a R. Artilharia 1, a minha mãe voltou a contar-me a história de como, certo dia, decidiu deixar de conduzir: "Estás a ver, Ricardo, foi aqui, no fim desta subida, que eu deixei o carro ir abaixo, e quando o semáforo ficou verde já não consegui pôr o carro a trabalhar outra vez. Começou toda a gente a apitar e tu e a tua irmã não paravam de chorar e gritar 'Quero o papá! Quero o papá!'. Já lá vão uns bons 30 anos". Eu, que já ouvi esta história vezes sem conta, limito-me a sorrir e a pensar que se todas as mães fossem como a minha, o mundo seria um local melhor para viver. Ou para conduzir, pelo menos.

sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Mau sinal

Percebo a simpatia dos condutores que fazem sinais de luzes para anunciar a presença de uma Brigada de Trânsito, mas as os riscos de tal gesto - tolo e imprudente, na minha opinião - parecem-me óbvios: ao recorrermos a esta prática podemos estar a ajudar um condutor alcoolizado, um contrabandista, um fugitivo da justiça ou - valha-nos Deus! - um dos argumentistas do Hora H. Não me parece, portanto, que esta "demonstração de solidariedade" deva ser fomentada. Pessoalmente, continuarei a utilizar os máximos apenas nas situações previstas no Código da Estrada e, uma vez ou outra, para alertar os peões que calculam mal as distâncias quando atravessam a estrada, matéria a respeito da qual o Código é estranhamente omisso.

quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Reflexões de braços

No ginásio onde eu ando (e corro, embora pouco) os Personal Trainers têm um papel colado nos computadores com a frase "O Pensamento Positivo treina-se". O ginásio fica relativamente longe de minha casa e saio de lá quase sempre à hora de ponta, pelo que, ultimamente, tenho aproveitado para pôr em prática esta máxima. Fila de trânsito em toda a Av. da Liberdade? - "O Pensamento Positivo treina-se". Rotunda do Marquês entupida? - "O Pensamento Positivo treina-se". Acidente na A5? - "O Pensamento Positivo treina-se". Meia hora para encontrar um lugar de estacionamento? - "O Pensamento Positivo treina-se". Ora, embalado por esta onda de auto-afirmação e motivação individual, decidi colar também um papel no computador cá de casa, com a frase: "Tão cedo não ponho os pés no ginásio". Veremos se assim resulta.

terça-feira, 3 de Abril de 2007

Compressa

Uma operação a um dente do siso impediu-me de actualizar o blog com a assiduidade desejada. Esta intervenção cirúrgica não impediu, apesar de tudo, que eu descarregasse a minha fúria em todos os condutores que tornaram o percurso desde o consultório até casa mais demorado do que eu previra. Não impediu mas também não ajudou: para além das óbvias dificuldades em fazer-me entender, os meus esforços para falar deixaram o volante num estado progressivamente mais peganhento e, por isso, instável, obrigando-me a cuidados redobrados para que os restantes dentes não tivessem o mesmo destino que o arrancado momentos antes, só que desta vez sem anestesia.

quinta-feira, 29 de Março de 2007

Fungos

Há quem tenha por hábito falar com as plantas porque, dizem, reagem aos nossos afectos e sentem a nossa energia, e ao comunicarmos com elas estamos a ajudar ao seu crescimento. Eu faço o mesmo, mas com os semáforos. Duvido que ajude ao seu crescimento mas gosto de pensar que sentem a minha energia, sobretudo quando estão vermelhos - "Anda lá, gaita!" e "Chiça, tanto tempo!" são alguns dos afectos que tenho para dar. Às vezes retribuem, outras nem por isso. Com os verdes falo pouco, e com os amarelos tenho uma relação de amor/ódio.
Pessoalmente, considero o excesso de semáforos uma das principais causas para o mau funcionamento do trânsito em Lisboa. A Rua do Ouro e a Rua da Prata, na Baixa, são dois locais onde o meu relacionamento com os amarelos é particularmente intenso e, por vezes, dramático. Para conseguir atravessá-las sem parar em qualquer um dos semáforos que, de 10 em 10 metros, me aparece à frente, tenho que ser rápido como um trovão e ágil como uma stripper. Basta um condutor mais lento à minha frente ou um peão com o pezinho na estrada porque "se calhar ainda dá para atravessar", para que eu me veja obrigado a demonstrar os meus afectos a mais um semáforo. É perigoso, dirão. Talvez, digo eu. Mas mais perigoso seria se eu, para passar todos os amarelos, subisse as bermas dos passeios ou dificultasse a saída dos autocarros das paragens. E isso eu não faço nunca. Só na Rua dos Fanqueiros mas porque tenho medo dos manequins.

domingo, 25 de Março de 2007

Êxtase

Sempre que entro numa rotunda há um pensamento que me vem de imediato à cabeça: "Quem dera que o Nuno Eiró aparecesse aqui, para eu poder atropelá-lo e deixá-lo com lesões que o impedissem de aparecer na Televisão durante os próximos 20 ou 30 anos". Estranhamente, o mesmo acontece quando me aproximo de cruzamentos, passadeiras, semáforos, entroncamentos, bifurcações, curvas, lombas, etc. Adiante, pois.
Eu, ao contrário da maioria, não alinho na moda do bota-abaixo das rotundas. Penso até que se elas contribuirem para o bem-estar do País serão muito bem vindas, pelo que quantas mais melhor. Um pouco como as calças de lycra e os fios-dentais, no fundo. O problema está mais na forma como as pessoas as utilizam e não tanto na quantidade existente. E continuo a falar de calças de lycra e fios-dentais. Mas voltando às rotundas, e tendo em conta o número de acidentes que elas originam, talvez não fosse má ideia os exames de condução incidirem menos nos estacionamentos, nas inversões de marcha ou nas curvas em ângulo recto, e mais na forma correcta de circular numa rotunda: "Percorreu toda a rotunda sempre na faixa de fora, bloqueando assim a saída a outros veículos? CHUMBADO"; "Saiu da rotunda sem a devida sinalização, provocando um atraso desnecessário nos condutores que nela pretendiam entrar? CHUMBADO"; Decidiu mudar abruptamente de faixa dentro da rotunda, abalroando os condutores que circulavam ao seu lado? CHUMBADO"; "Decidiu mudar abruptamente de faixa dentro da rotunda, abalroando os condutores que circulavam ao seu lado, sendo que um deles era o Nuno Eiró? APROVADO."

terça-feira, 20 de Março de 2007

Estado grave

Confesso: quando estou parado numa daquelas filas de trânsito intermináveis, desejo sempre que a origem de toda aquela demora esteja num acidente e não apenas na azelhice de algum condutor. Mais: chego mesmo a sentir uma satisfação maior quando reparo que se tratou de um acidente aparatoso em que um ou mais carros ficaram bastante danificados. Não é bonito, eu sei, e admito, até, tratar-se de um caso de psiquiatria.
A explicação, já agora, tem sobretudo a ver com o meu comportamento após a circulação do trânsito ficar normalizada. Se eu estive durante horas enfiado no carro e andei apenas 1 ou 2 quilómetros porque ocorreu um choque em cadeia, sei que irei lamentar-me - pela demora e pelo acidente - mas acabarei por fazer o resto do percurso conformado com a inevitabilidade da coisa; mas se eu estou atrasado porque um ou mais condutores o são, é certo que irei passar o resto da viagem de mau humor com os condutores, o País e o mundo. E só não vou para o meio da estrada esbracejar com todos eles para não ter de vestir o colete. O reflector, não o de forças.

segunda-feira, 19 de Março de 2007

Mulheres II



My little girl

Drive anywhere
Do what you want
I don't care

Tonight
I'm in the hands of fate
I hand myself
Over on a plate

Now

Oh little girl
There are times when I feel
I rather not be
The one behind the wheel

Come
Pull my strings
Watch me move
I do anything

Please

Sweet little girl
I prefer
You behind the wheel
And me the passenger

Drive
I'm yours to keep
Do what you want
I'm going cheap

Tonight

You're behind the wheel, tonight


"Behind The Wheel" - os Depeche Mode, naquele que terá sido um dos pontos mais baixos da carreira do grupo no que diz respeito à escolha da letra.

quinta-feira, 15 de Março de 2007

Dá cá mais cinco

Não sei quem me incomoda mais: se o acelera que se cola de tal forma ao meu carro que chega a ser possível contar-lhe os pelos do nariz através do espelho retrovisor, se o molengão que dá sempre 400 ou 500 metros de avanço ao carro que vai à sua frente. Com o primeiro sinto um enorme desejo de travar bruscamente, deixá-lo espetar-se contra mim, e a Marta que resolva o resto; ao segundo gostava de poder encostar o meu carro ao dele e empurrá-lo o suficiente até ele ficar juntinho ao da frente. Parece contraditório mas, na verdade, não é. Se por um lado não gosto de tipos que têm um fetiche pela traseira do meu carro, também tenho, por outro, muito pouca paciência para os condutores para quem a distância mínima de segurança chega a ter mais do que um fuso horário. No fundo, é um pouco como a questão dos apertos de mão: é de bom tom mostrar algum vigor no cumprimento mas também não convém partir os ossos da pessoa a quem apertamos a mão. A não ser que sejam os ossos de um molengão ou de um acelera. Nesse caso até dá jeito.

segunda-feira, 12 de Março de 2007

Faz pisca

Eles olham para a esquerda, e pisca, pisca
Andam praí a piscar p'ra ver se arranjam conquista
Parece que está a dar, e que veio p'ra ficar
A moda do pisca, pisca.

Ruth Marlene

Percebe-se, e aplaude-se, a intenção da Ruth Marlene: através de uma imagem que é, simultaneamente, simples na forma e rica na mensagem, estabelecer uma relação de identidade poética entre dois actos tão genuínos mas cada vez mais raros entre nós - o do engate e o do pisca-pisca.
Quem anda na estrada, porém, sabe que o pisca-pisca não é - nem nunca foi - moda, seja ele para a esquerda ou para a direita. Nem para estacionar, nem para indicar a mudança de faixa e muito menos quando se está prestes a iniciar uma ultrapassagem. Nada disso. Para a grande maioria dos condutores o pisca-pisca não passa de um acessório supérfluo ou um de um mero apêndice do volante, que só em ocasiões muito especiais deve ser utilizado - uma espécie de preliminares, com a diferença de que no caso do pisca-pisca é a mão esquerda que trabalha.
A solução para que o pisca-pisca fique definitivamente na moda, passa, a meu ver, por uma de duas alternativas: colocar no cérebro do condutor um dispositivo que, através de um variador de frequência de dimensões muito reduzidas, emita sinais electromagnéticos directamente para o volante, assim fazendo accionar o pisca-pisca sempre que o condutor decide virar para a esquerda ou para a direita; ou, em alternativa, uma marretada na cabeça do condutor cada vez que este se esquecer da respectiva sinalização. A que sair mais barata.

sábado, 10 de Março de 2007

Carrinhos de choque

De todas as diversões a que o meu pai me levava na Feira Popular, havia uma que eu detestava particularmente: o Poço da Morte, onde o artista - Joselito - conduzia, numa trajectória circular e equilibrado num só pé, uma mota sobre uma parede de madeira à volta do poço. Para além de barulhento, tudo aquilo me parecia demasiado perigoso e, ao mesmo tempo, confrangedoramente pobre. Hoje, com o fim da Feira Popular, conheço apenas um sítio capaz de rivalizar com o Poço da Morte: o parque de estacionamento do El Corte Inglês. Não sei quem foi o palerma do Engenheiro que projectou aquilo, mas, das duas, uma: ou nunca conduziu um carro na vida ou era, em criança, o fã número 1 do Joselito.

sexta-feira, 9 de Março de 2007

By the Power of Grayskull, despacha-te lá com isso!

Quando queremos estacionar e reparamos que alguém pode estar prestes a sair, sabemos que nos espera uma de duas situações: aguardar durante alguns segundos até que o lugar fique vago ou depararmo-nos com um daqueles condutores que, antes de pôr o carro a trabalhar, tem por hábito executar uma série de tarefas (arrumar papéis, ajustar o assento, verificar o espelho...) que, todas elas somadas, fazem prolongar a espera para lá do suportável. Não há, julgo eu, qualquer forma de sabermos antecipadamente qual destas duas situações vamos ter de enfrentar. A única coisa que sabemos realmente é que, durante aquele período de tempo - que pode ser curto e tranquilo ou lento e doloroso - estamos nas mãos de quem ocupa o nosso lugar. É ele quem detém o poder. A nós, resta-nos aguardar e desejar que quem quer que seja o detentor desse poder, o use com sabedoria. Não só para que tudo se processe com normalidade mas também, e sobretudo, para que a mãezinha dele não se torne o centro das atenções.

terça-feira, 6 de Março de 2007

Branca de Neve

Os peões em Lisboa não têm uma vida fácil. Seja pelas constantes obras nos passeios, pela quantidade de carros a obstruir a passagem ou pelo cocó dos cãezinhos, são muitos os obstáculos que dificultam o dia-a-dia de um peão. Mas, claro, também é preciso dizê-lo: há peões e peões.
Estudos recentes feitos agorinha mesmo revelam a existência de 7 diferentes tipos de peão: o distraído, o profissional, o indeciso, o aventureiro, o raivoso, o didacta e o simpático.

- o distraído. Atravessa primeiro e olha depois. Conhecido por ser a principal causa de atropelamentos no nosso País, o peão distraído é acima de tudo alguém que precisa de muito cuidado e carinho. E, claro, de uma buzinadela nos ouvidos;
- o profissional. Como o nome indica, o profissional não brinca em serviço. Embora nunca na vida tenha conduzido um automóvel, conhece as regras de trânsito melhor do que ninguém. É licenciado em semáforos com especialidade em intermitentes, tirou o mestrado em limites de velocidade e completou o doutoramento (Muito Bom com Distinção) em passadeiras. A frieza com que aborda a estrada é arrepiante e desarma até o mais chico-esperto dos condutores;
- o indeciso. Nunca sabe se há-de atravessar ou ceder passagem; avança quando o carro avança e recua quando o carro trava. Talvez por isso seja muitas vezes injustamente apelidado de "o grandessíssimo chato";
- o aventureiro. Também conhecido como "o perigoso", "o inconsciente", "o destemido" ou "o invisível" é um peão para quem passeio e estrada são dois corpos que se fundem num só para formar um terceiro que, não raras vezes, é o dele próprio em cima do capot;
- o raivoso. Agora que Mantorras está impedido de conduzir, o peão raivoso ostenta o título de terror n.º1 dos automobilistas. Este peão tem uma missão na vida e uma missão apenas: acabar com essa corja de assassinos da estrada que ele considera serem os automobilistas. Insulta, gesticula e não tem qualquer problema em provocar acidentes se souber que isso lhe trará benefícios de natureza financeira ou dará cabo da vida do condutor, ou, de preferência, ambas as coisas;
- o didacta. Não é grosseiro com o condutor mas faz sempre questão de dar a sua liçãozinha. É frequente vê-lo atravessar a estrada e apontar para o semáforo enquanto diz "está verde..." ou apontando para o chão ao mesmo tempo que lembra "passadeira...", sem nunca deixar de tirar os olhos do condutor. É bem possível que pare a meio do percurso, nomeadamente quando leva consigo uma ou mais criancinhas, para que estas saibam desde muito novas aquilo que as espera nesta selva que é a estrada;
- o simpático. Deixa passar os carros mesmo quando sabe que é ele quem tem prioridade; agradece ao condutor enquanto atravessa a passadeira, apesar de saber que não tem que o fazer. Na verdade, o peão simpático é um condutor que deixou o carro num parque de estacionamento ali perto.

domingo, 4 de Março de 2007

Não tentem fazer isto em casa

É fácil identificar aqueles que se acham condutores cheios de estilo e atitude. Conheço-os como a palma da minha mão; ou melhor, como a palma da mão deles, que é só o que utilizam para estacionar e fazer inversão de marcha.

sexta-feira, 2 de Março de 2007

110 metros barreiras

O meu temperamento ao volante não se altera consoante as distâncias a percorrer são maiores ou menores. Isto é, muitas das vezes necessito apenas de 100 ou 150 metros para rogar pragas a todos os que se atravessem à minha frente - peões, outros condutores, polícias de trânsito -, mas também sou perfeitamente capaz de fazer uma viagem de 200 ou 300 quilómetros sem me arreliar com quem quer que seja. Nunca aconteceu, é verdade, mas sei que sou capaz.

quinta-feira, 1 de Março de 2007

Ou todas as anteriores

Fico sempre com a ideia que ao volante de um carro com vidros fumados vai necessariamente um condutor tresloucado, um traficante de droga, um membro de um gang ou um potencial homicida.

quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Ich bin ein Trappatoni

Dos muitos milhares de vídeos disponíveis no You Tube este é, talvez, o meu preferido. Por muitas razões, cada uma mais palerma e desinteressante do que a outra.
Muito resumidamente, o vídeo mostra-nos uma conferência de imprensa de Trapattoni, na altura treinador do Bayern de Munique, furioso, acusando alguns dos seus principais jogadores (Bassler, Mehmet, Strunz), de não serem profissionais.
Sempre que vejo este vídeo - e vejo-o vezes sem conta - vejo-me também a mim próprio quando estou ao volante. Aquele sou eu. O Bassler representa os condutores que desconhecem a existência de outra faixa que não a da esquerda; o Mehmet é o peão que atravessa a passadeira a passo de caracol; Strunz, o acelera que se encosta à traseira do nosso automóvel não se percebe bem para quê...
Schauen sie mal (ou lá como é que eles dizem):

domingo, 25 de Fevereiro de 2007

É vê-los passar

Tenho medo das Renaults Traffic, das Peugeot Partner, das Fiat Dobló, das Citroën Berlingo, enfim, de qualquer veículo ligeiro comercial que tenha os vidros traseiros pintados da mesma cor que o resto do carro. Tenho muito medo.

sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Vade Retro

Sonhar é viver, já se sabe, e todos nós temos um sonho que desejamos um dia poder vir a realizar. Martin Luther King Jr. sonhava com um mundo em que as pessoas não fossem julgadas pela cor da sua pele; a Madre Teresa de Calcutá sonhava acabar com a fome; o Cláudio Ramos sonha ter um útero. O meu sonho é outro: saio de casa bem cedo, entro na A5 em direcção às Amoreiras, desço até ao Marquês, meto pela Fontes Pereira de Melo, Saldanha, faço toda a Av. da República, passo o primeiro túnel, o segundo, o terceiro, chego ao Campo Grande e volto para trás em direcção à Cidade Unversitária, passo junto ao edifício da PT, Av. 5 de Outubro, Tomás Ribeiro, Conde Redondo, desço toda a Av. da Liberdade até à Praça do Comércio, Cais do Sodré, 24 de Julho, Alcântara, Belém (onde paro para comer uns pastéis), Algés, subo até Miraflores, Carnaxide e estou de novo em casa. Tudo ao volante de uma Retroescavadora.

quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Cavalinho Rampante vs Elefante Branco

Os donos dos Ferraris já tinham aquele ar mafioso e de frequentadores de bares de alterne antes de terem um Ferrari ou ficaram assim depois de o comprar?

quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Mulheres I

Tenho esperança que um dia, ao chegar a um cruzamento, ao sair de um lugar de estacionamento ou ao mudar de faixa, o condutor que me ceda passagem seja uma mulher. Porque até hoje... nem uma vez.

terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

Hannibal

Existem os serial killers, os pedófilos, os terroristas e também os condutores que, ao aproximarem-se de um semáforo, abrandam, abrandam, abrandam... e não descansam até que caia o amarelo, primeiro, e por fim o vermelho. Admito que a comparação possa ter alguma dose de exagero mas a verdade é que desde que vi O Silêncio dos Inocentes sou absolutamente incapaz de reconhecer nos serial killers qualquer réstia de dignidade humana.

sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Táxi!

Desconheço o motivo da utilização do termo "Fogareiro" para designar os taxistas. Mas sei, curiosamente, qual a sua origem etimológica: vem do grego «fogyas» (trombudo, aldrabão) + «reyron» (aquele que anda na estrada com a intenção de lixar o próximo). E que me caia já um autocarro da Vimeca em cima se isto que eu acabei de escrever não é verdade.

sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

The Road Warrior

No site da PSP pode ler-se que "o exercício da condução pode transformar um pacato cidadão num verdadeiro Mad Max das estradas nacionais". É verdade. Embora o site não especifique a qual dos Mad Max - I, II ou III - se refere, facilmente me revejo naquela afirmação. E é por isso que aqui estou - para partilhar convosco o meu dia-a-dia dentro de um automóvel. Apertem os cintos e venham comigo nesta viagem; venham mas não atrapalhem porque o mais certo é eu estar de mau humor e com muita, muita pressa.